terça-feira, 22 de junho de 2010

Realizadores, conformados e procrastinadores

Pequeno e interessante texto sobre gestão do tempo nesta época do ano.

Os realizadores, os conformados e os procrastinadores.

Uma forma fácil de entendermos o ritmo produtivo e evolução das pessoas é dividi-lo em três grandes grupos:

  • Os realizadores – são aqueles que saem do lugar e fa zem alguma coisa seja para atingir seus objetivos, dar saltos na carreira, viver melhor seus relacionamentos e ter mais saúde e prosperidade em todos os sentidos.
  • Os conformados – são aqueles que já assumiram que simplesmente nãobarriga-cerveceradá pra mudar, que a vida é assim mesmo, que ele não nasceu com o “rabicó” virado para a lua e que acredita que time que está empantando pelo menos não tá perdendo.
  • Os procrastinadores – são aqueles que até tem vontade d e mudar, de fazer algo diferente, que se motivam para criar planos, mas na hora H alguma coisa os impede de dar o próximo passo.

A parte triste dessa divisão é que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já teve um desses perfis presente na sua rotina. Não é verdade? Ninguém é 100% realizador. Com certeza, o Bill Gates, Steve Jobs, Sílvio Santos, João Doria ou qualquer outro desses personagens que são extremamente bem sucedidos, já tiveram seus dias de procrastinadores e conformados.

Só que essas pessoas tem uma coisa em comum: eles conseguem administrar esses perfis e voltam rapidamente para o perfil realizador. Eles entendem que ninguém é inabalável, mas que todos tem uma capacidade inigualável de seguir em frente, no perfil adequado.

Em qual perfil você está vivendo hoje em dia? Que tal aproveitar que praticamente 50% do ano já foi embora para começar a viver no perfil mais adequado?

Entrar no perfil dos realizadores não é uma coisa do outro mundo, se eu pudesse definir 5 passos chave para começar a realizar, eles seriam:

1 – Aprenda a administrar bem o tempo que você tem para ter mais energia paracaixamagicafocar nas coisas que você gostaria de realizar.

2 – Defina 1-2 pequenas ou médias realizações que gostaria de ter nesse próximo semestre, compartilhe com uma pessoa de extrema confiança e siga os passos nesse postpara montar o objetivo.

3 – Crie uma disciplina mental de pelo menos diariamente ler e revisar os planos dessas realizações. Algo que o mantenha conectado ao que deve ser feito.

4 – Ache uma forma de vencer a procrastinação ou o confirmismo quando ele aparecer. Pode ser um vídeo, um filme motivador, um amigo que possa dar força, uma saco de porrada, etc. Toda vez que eu fico desmotivado, eu visito o site do meu concorrente mais medíocre e que faz o maior sucesso nos EUA, impressionante como isso me anima e me faz sair do lugar.

5 – Faça um mapa mental com as possibilidades de mudanças, próximos passos, idéias ou pequenas coisas que podem te ajudar a chegar no seu resultado. A função desse exercício é colocar sua mente para criar ações executáveis e não apenas “contemplações conformistas”.

Se não conhecer a técnica de mapas mentais, rabisque em uma folha de papel uma linha de um ponto A para o ponto B e no meio da linha comece a colocar pequenas ações (ou idéias) que vão te ajudar a chegar lá, depois refine esse rascunho em ações com datas na agenda. Veja esse exemplo:

image

E você? Que dicas você tem para sair da Procrastinação ou do Conformismo?


Fonte:
http://goo.gl/hjTE

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Família em primeiro lugar

Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. Ele
era um dos poucos engajados no social, embora fosse pessoalmente um workaholic.

O encontro foi na própria empresa, ele não tinha
tempo para almoçar com a família em casa nem com
os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.

Seus olhos estavam estranhos, achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. Bobagem minha pensei, homens não choram, especialmente na frente de outros. 

Mas durante a sobremesa ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse lembrado dos impostos pagos no dia, impostos que ele sabia que nunca seriam usados para o social.
"Minha filha vai se casar amanhã", disse sem jeito, "e só agora a ficha caiu. Eu fui um tremendo de um workaholic e agora percebo que mal a conheci. Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo a minha empresa e me esqueci de me dedicar à família."
Voltei para casa arrasado. Por meses eu me lembrava dessa cena patética e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.
Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição ética tão óbvia, trivial, nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que lhe dirão para colocar em primeiro lugar os outros - a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família.
Normalmente, a grande discussão é como conciliar o conflito entre trabalho e família, e a saída salomônica é afirmar que dá para fazer ambos. Será?
O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo à peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho. Ele se atrasou justamente porque tentou "conciliar" trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.
Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo, teria levado pessoalmente a criança ao evento, teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.
A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de "conciliar" família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar, muito antes das inevitáveis crises, quem você prioriza e coloca em primeiro lugar. Você não terá de tomar difíceis decisões de lealdade na última hora, pois a opção já terá sido previamente discutida e emocionalmente internalizada.
Na época pensava deixar de ser professor da USP, apesar do ambiente tranqüilo e dos três meses de férias que a carreira proporcionava. Mas aquele almoço me fez ficar, para desespero de meus alunos.
Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: "Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar".
Qual o verdadeiro "sucesso" de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia a dia? De que adianta fazer uma fortuna para ter de dividi-la pela metade num ruinoso divórcio e pagar pensão à ex-esposa para o resto da vida? De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar na sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?
Os leitores que ficaram indignados porque não tiro férias podem ficar tranqüilos. Eu só não tiro férias aqui da Veja, como a maioria dos colunistas.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br) 

Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1739, ano 35, nº 7, 20 de fevereiro de 2002, página 26.